Boêmia e Punk Rock !

Convidamos para essa entrevista ao site Undersound a banda de Punk Rock Irônika, formada no noroeste de Belo Horizonto (MG) e que aposta num punk rock energético e divertido.Confiram mais esta entrevista exclusiva coma banda Irônika.

1. Olá pessoal, primeiramente, apresentem-se para os leitores do Undersound.
BRUNO: Bruno Luiz, guitarra e vocais.
VASSEUR: Pedro Vasseur, mais novo integrante da banda, sou baixista e vocal.
Jr. SKITER: Enio Jr. Skiter, guitarra, vocais, roadie, motorista reserva e festeiro.
TIAGO: Tiago Borges, bateria.

2. Como tudo começou? Conte-nos como foi o início da banda, os primeiros integrantes que formaram o Irônika.
BRUNO: Começou em 2000, banda pequena, precária e com muitas dificuldades como a maioria das bandas brasileiras de punk rock. O som era ska punk com grande influência de Operation Ivy e The Specials e os shows eram em casas de amigos, bares, eventos pequenos. No início era somente eu e Juarez, no primeiro show em 2001 fizemos com nossos antigos colegas, Dian e Jojô que logo foram substituídos por Xandy e Hugo que foram substituídos por outras pessoas. Depois disto várias formações provisórias configuraram a banda até 2002.

3. A banda tem uma música chamada "Libertas Quae Sera Tamen" frase contida na bandeira de Minas Gerais que quer dizer "Liberdade, ainda que tardia", de alguma forma esta frase chega a representar alguma ideologia da banda?
BRUNO: A banda não representa ideologia qualquer, este nome foi usado na música para fazer uma menção poética ao que é falado na música.
VASSEUR: Se liberdade pode ser entendida como ideologia, sim. Mas a banda não segue nenhum tipo de corrente política ou religiosa.
Jr. SKITER: Bom... esta frase representa tudo que nós mineiros/brasileiros buscamos, há uma energia totalmente positiva nesta frase que mostra o quanto somos guerreiros e podemos conseguir o que queremos.

4. A banda já tocou no nordeste, um exemplo foi o festival Tribus Festival em Teresina (PI), vocês vêem algum diferencial do público do nordeste em relação aos fãs da Região Sudeste do país?
BRUNO: A diferença para mim está na resposta que tivemos do público durante nossa apresentação no Tribus Festival. Muitos jovens de diferentes estilos dançando ao mesmo tempo durante o show, metaleiros, clubbers, hippies, punks, pessoas mais velhas, caras do hardcore... se divertindo intensamente e sem pudores! É o mais legal visto que normalmente no sudeste os shows são bem mais sectários. Esta é a grande diferença.

5. Em 2009 lançaram o mais novo trabalho da banda, o EP "Casa caindo" produzido pela própria banda. Qual a diferença que vocês acham que esse trabalho teria se fosse produzido por alguém que não toca na banda?
BRUNO: Talvez a interferência de uma outra pessoa, naquele momento, poderia resultar na perda da identidade da banda no EP, outra coisa também é a falta de recursos. Agora esta identidade, sem dúvida, é o mais importante para retomar o caminho certo já que a banda estava atravessando um momento muito delicado.
Jr.SKITER: Eu não participei tocando no EP, mas estive lá dando idéias. Sempre que podia eu estava lá ajudando o Irônika, pois somos amigos a muito tempo. Mas acho que tivemos mais liberdade para trabalhar e opinar do jeito que queríamos e que a galera gostasse. Acho que muitas vezes uma "ajuda" externa pode tanto contribuir quanto “avacalhar” uma banda.

6. O EP "Casa Caindo" foi disponibilizado na internet gratuitamente, seguindo uma fórmula que já vem sendo utilizada por muitas bandas, como vocês vêem hoje em dia a indústria fonográfica com esse fenômeno chamado "MP3"?
BRUNO: Desde o início o mp3 é algo democrático e agora se tornou parte de uma revolução que está obrigando a indústria fonográfica á repensar a cadeia produtiva musical. De fato ajudou muita gente, mas onde isto tudo irá chegar ainda não sabemos.
VASSEUR: O mp3 já está ai faz tempo, mas parece que só agora as bandas e alguns selos resolveram usar a mídia como ferramenta de divulgação. Acho sempre válido, a arte tem que ser para todos.
Jr. SKITER: Pra mim contribuiu bastante para algumas bandas serem conhecidas. Ficou mais fácil das pessoas conhecerem um tipo de som ou uma banda através da Internet já que as grandes gravadoras colocaram um preço absurdo para os cd’s. Principalmente cd’s de bandas internacionais. Não que seja a favor da pirataria, só acho que as pessoas deviam pensar em quem deve realmente ser "boicotado" e sendo a música acessível escutam o mp3. Se gostar, compram o álbum para ajudar a banda que gosta e não pela gravadora. Por que dá o maior trabalho fazer música, comprar instrumentos, gravar e arrumar alguém que realmente se interesse em lançar seu trabalho.   

7. Ao longo desses nove anos de banda, sofreram muitas alterações na formação da banda?
BRUNO: A banda sofreu várias alterações, acho isto normal para o contexto em que estamos inseridos. No início até 2001 foi problemático, de 2002 á 2008 atravessamos com uma mesma formação. Agora em 2009, com estas modificações, espero que a banda se estabilize para colhermos bons frutos.

8. A banda aposta no punk rock energético, descontraído e divertido, quais as principais influências da banda?
BRUNO: Como banda, para mim começou com o ska da Two Tone e o ska punk, música jamaicana no geral. O punk californiano sempre esteve presente, o punk inglês, oi! / street punk, world music, música negra e coisas do rock’n roll.
VASSEUR: Eu escuto bastante coisa diferente, de punk rock até country, passando pelo ska e por ai vai.
Jr. SKITER: Poxa, eu escuto muita coisa fora do tradicional punk, gosto muito de trash e death metal melódico, escuto muito crossover, ska, postcore, black music e vai indo por ai.

9. No início da carreira, tocavam bastante ska e reggae. O que os levaram á incorporar e fazer do punk o estilo predominante no som da banda?
BRUNO: Nós bem que tentamos, mas, naquele momento, era muito precário tocar ska. Embora tínhamos influência, mas  não tínhamos recursos para isto. Quando migramos para o punk rock tudo ficou mais fácil e simples, a banda rendeu mais. O que não nos impede de fazer isto agora.
TIAGO: A banda passou por várias formações. E quando se formou a formação que durou mais tempo que foi com Cau e eu demos um pique novo na banda, principalmente da minha parte por ter influência de sons mais rápidos, foi inevitável essa mudança.

10. As letras da banda trazem desde temas do cotidiano ás bebedeiras e críticas sociais. Como é o processo de composição da banda? Quem são os responsáveis pelas composições?
BRUNO: A maioria das letras é minha, há algumas parcerias antigas nas músicas como eu e Juarez ou Cau. A temática são coisas simples do nosso cotidiano. Normalmente alguém chega com um riff pronto, ou um riff já com a letra e daí nós incrementamos e lapidamos a música nos ensaios.
Jr. SKITER: Eu entrei tem pouco tempo na banda, mas já escrevi uma música e tenho umas letras que acho que não encaixariam na minha outra banda (Distúrbio Sub-Humano, som mais crossover) daí vamos trabalhar nelas mais pra frente.

11. Atualmente vocês já tiveram alguma informação sobre a repercussão do EP lançado pela banda recentemente?
BRUNO: Tivemos alguns feedback’s bem legais por aí com este EP, coisa que eu não esperava. A galera parece que recebeu bem nossas músicas. Umas notas de lançamento, músicas do EP tocadas em algumas rádios por aí: rádios universitárias e de música independente. Algumas resenhas e umas chamadas em podcasts como é o caso da Rádio USP também rolaram. E um destaque na no portal norte-americano Mohawk Radio que ajudou bastante. Mas o mais legal de todos pra mim foi a iniciativa do amigo Cristiano, dj de drum & bass de BH, que pegou a música “Heróis do Bar” e montou uns slides da galera dele que por sinal virou uma crew com direito a camisa chamada “Heróis do Bar” hahahahaha... demais.
 
12. Como anda a agenda de show da banda atualmente, houve aumento na demanda de shows após o lançamento do EP "Casa caindo"?
BRUNO: Estamos voltando com os shows a partir do dia 25, o Skunk Party Volume 2 em BH vai ser um grande começo. Os convites aumentaram de fato, São Paulo, Rio, Espírito Santo, interior de Minas, sul do país, centro-oeste. Há alguns shows no esquema ai, vamos ver se eles fecham porque precisamos de ajuda de custo.  Viajar pra tocar sem um auxílio fica difícil para nós. São vários convites desde o início do ano.

13. A banda já pensou ou tem algo de concreto para shows internacionais, ou isso ainda é uma realidade um pouco mais distante no momento?
BRUNO: Nunca discutimos isto, mas já passou pela cabeça sim. Temos alguns contatos fora do país que, se reativados, podem facilitar. Podemos pensar nisto para longo prazo caso as coisas e os contatos dêem certo.
Jr. SKITER: Pois é... eu tenho alguns contatos na Argentina, Portugal, Holanda e também na terra do Tio Sam, mas isso tem que ser estudado. Quem sabe rola algum dia né?
TIAGO: Infelizmente é muito difícil sair para tocar. Ainda mais com uma formação nova em que tudo muda. Mas quem sabe um dia, sair para outros paises requer muitos contatos e muito planejamento. Mas desde que a banda existe já existia esse sonho.

14. Minas Gerais é um estado conhecido por revelar bandas consagradas no pop rock nacional com Skank, Jota Quest entre outras. Agora fale para nossos leitores como anda a cena punk/rock de Minas Gerais?
BRUNO: As paradas estão se aquecendo por aqui é uma tendência. Em BH há varias bandas diferentes e pouco espaço para shows pequenos, temos o Matriz, a Área 51, Obra, Pau e Pedra e alguns bares por aí. A galera está com a mente mais aberta também. Bandas de punk rock em plena atividade daqui que posso destacar, o Silicones, Rocketwist, Buenaventura, Consciência Suburbana e Cães do Cerrado. O interior de Minas está cada vez mais articulado também: com coletivos, bandas, shows e um público extremamente receptivo. Acho que todo mundo resolveu acordar por aqui.

15. Vocês já têm em mente o lançamento de outro material novo, outro EP, ou pretendem trabalhar por mais tempo nesse EP lançado?
BRUNO: Devemos trabalhar com esse EP por um tempo, fazer uns shows de lançamento dele e depois chegamos com as músicas novas e vemos o que dá para ser feito.
TIAGO: Estamos em uma nova fase, então vamos trabalhar ainda com esse som que saiu recentemente e vamos começar meio que do zero de novo. Mas é bom ter um sangue novo e a volta de amizades verdadeiras na banda.

16. Encerrando nossa entrevista, a palavra final da banda:
BRUNO: Valeu Vandilson! Obrigado a toda equipe do Undersound pelo canal que vocês abriram. Ao público, obrigado pelo apoio! Continuem apoiando as bandas, compareçam aos shows, depende de todos nós shows legais acontecerem! Quanto ao Irônika, estamos muito animados com este ano, muita coisa nova vindo por aí. Quem quiser conferir o EP é só baixar no site oficial ou pedir o CD pelo nosso e-mail. No mais, espero esbarrar com todos por aí e quem puder compareça dia 25 na Skunk Party em BH, a festa promete ser perfeita! Punk Rock não morreu! Saúde & cerveja de BH!
Jr. SKITER: É isso ai galera, valeu pela oportunidade e nos vemos na Cidade Bar!


Por: Vandilson Lima
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