Resenhas de Shows
Unscarred Fest

Data: 16/Maio/2010
Por Riccelli Adriel

Domingo, dia 16 de maio, Rua Augusta em São Paulo, de um lado tinhamos o show de mais uma banda colorida acontecendo, do outro algo que eu não presenciava faz tempo, a reunião de pesos do new metal e da musica pesada underground reunidas em um uníco evento, Unscarred Festival.
O festival que ocorreu no Clube OUTS reuniu música de peso e qualidade dando destaque inclusive para coisas novas que vêm surgindo nesta cena como Ponto Nulo No Cêu e também para os cães de velha guarda  como o Choldra que continaum latindo em alto e bom som com uma bela porrada na orelha.

Grandes lançamentos também foram a cara deste festival, o Redoma de Porto Alegre se apresentava pela primeira vez em São Paulo e lançando seu novo cd “Invencíveis”, a banda Libria estreiando o seu dj “Lucas Lira”, o Choldra por sua vez  concebe seu novo album “Aera Choldra” e para o Manshuria estava previsto o novo ep, porém por imprevistos com parcerias  não foi possível levar as mesmas para a galera, de qualquer forma a banda estreiou nos palcos sua nova fase que marca este novo ep.
A casa tardou a abrir suas portas para o publíco por um pequeno atraso, particularidade comum da maioria dos eventos underground, apesar do acúmulo do publíco que aguardava ancioso para o início do evento, não houve confusão na hora da entrada.
Após atraso, anciedade, uma diminuta confusão entre a organização e a casa e uma pequena passagem de som da banda Choldra, o Manshuria abria a cancela que dava início ao Unscarred Festival.
A banda que conta com o monstruoso baterista Cesar Stefanelli responsável por acrobacias com as baquetas e uma batida ignorante e bem marcada chamou a atenção do publíco em poucos minutos de apresentação inclusive tentando formar uma timida roda, que nem sempre agrada todos ali presentes no recinto.
Outra boa observação é que o Manshuria estava se apresentando apenas com um vocalista devido a recente saída de seu outro homem dos vocais e berros, isto com certeza não impediu em nada a banda de uma boa apresentação e Erick o vocalista se desdobrou em dois entre limpos, graves, berros e agudos para não deixar a peteca cair.

Logo em seguida era a vez do Redoma subir nos palcos, sou suspeito para falar qualquer coisa sobre esta banda que acompanho desde 2007, mas bastou observar a reação do publíco para dizer que foi a melhor apresentação da noite, em sua primeira passagem por São Paulo o Redoma de Porto Alegre enfim pode dar a cara a tapa mostrando o seu som para muita gente que ainda não conhecia seu trabalho e arrebatando uma legião de admiradores.
Os integrantes antes de iniciar o show se cumprimentaram em um belo gesto de respeito, tocaram musícas de seu novo cd “Invencíveis” e fizeram um show de tirar o chapéu, equilibrando sincronia de palco, melodias bem trabalhadas e uma simpátia e presença de palco admirável de se ver.  
A vocalista Cassia consegue ser melhor ainda ao vivo com uma voz marcante, forte e bem afinada, o  guitarrista Nuclear conseguiu surpreender com um timbre ainda mais pesado do que o de costume, nem é necessário comentar sobre o talento de Junks e Duduh que não se tornam diferentes no palco, com batidas perfeitas que entoam a musíca.
O show acabou após um coro do publíco por mais duas musícas seguidas de uma calorosa recepção de todos em um cantinho onde vendiam seu merchan e cd, já que não conseguiram um espaço para isto como as outras bandas ali presentes, sem duvída alguma Redoma vai ter muitas novas oportunidades de voltar para São Paulo, após esse show de lançamento.

Seguindo as apresentações, tivemos um momento mais tranquilo com o som e a batida com fortes raizes no hip-hop da banda Libria, que inova e se destaca por ser o estilo mais destoante das outras bandas da noite, possui peso e talento, mas chega a remeter  mais a musíca brasileira do que as fortes raizes do nu metal que cresceu  com grandes influências do hip-hop.
Quando a casa começa a ficar realmente lotada e fica difícil de respirar o evento chega ao seu apse com Choldra e Ponto Nulo No Cêu, grande maioria do publíco estava lá aguardando a vez da banda que veio de Santa Catarina e já arrasta uma quantidade significativa de conhecedores de seu trabalho.
Particularmente no ínicio estranhei um pouco o estilo de som do PNNC, mas nos ultimos tempos a banda vem crescendo em talento e seguidores no seu myspace e pude comprovar neste show que a chegada de um novo guitarrista o talentoso André, já deu um "Q" á mais que talvez faltasse em seu som.
O vocalista Dijjy chama o publíco e faz a galera cantar em coro ao executar o do hit “Na sombra do ego” entre outras baladas nervosas tambem apresentadas pela banda, ganharam a OUTS e ganharam o respeito com um show maduro e sem outras distinções de estilo.
Realmente julgo importante ver que ainda tem som de qualidade chegando e gente o suficiente para ouvir e gostar, mostrando que a cena não se resumiu apenas em “ Familia Restart” e um bando de crianças coloridas sem gosto próprio seguindo a mídia e nada mais.
Ponto Nulo No Cêu atrai tanto marmanjo como a mulecada que esta começando a frequentar a cena underground, tem letras populares, inteligentes e de fácil entendimento, acompanhadas de rffs pesados de cordas e uma bela presença de palco.

Já outra banda que sou suspeito para falar é o Choldra, o ultimo show que vi dos caras ainda fora no saudoso Black Jack Rock Bar em 2004, os caras não perderam nem um pouco do talento nestes últimos anos, estão com um som mais maduro, mais pesado e uma apresentação de dar inveja para muito homem barbado por ai.
Com novo cd na mão e todos muito orgulhosos do trampo que fazem a banda acabou com aqueles que restaram ali, esperei ancioso por musícas como “Casúlo” e “Além da cor”  e logicamente a banda nos abrilhontou com muita coisa do novo trabalho, esperado por muitos desde seu ultimo lançamento em 2005.
No geral o Unscarred Festival foi um festival muito bem executado, conseguiu fazer algo que não rolava faz tempo que é juntar aqui em São Paulo bandas de fora, novas e de tradição, todas com qualidade e de um gênero e estilo que anda carente de espaço que é o som pesado das raizes do nu metal.
Proporcionar este festival em uma casa com uma ótima estrutura como a Outs, mas que não deixa de lado seu lado alternativo e independente foi a outra boa jogada, remeteu a tempos nostálgicos e o melhor de tudo é ter a oportunidade de estar lá, enquanto outros sites da mídia “undergound” cobriaum um evento fresco e colorido que ocorria do outro lado da rua na casa concorrente.
Agradeço o Victor da X.Treme pelo convite, a Outs pela estrutura e também a todas as bandas que fizeram parte deste evento e puderam compartilhar conosco de seu talento, respeito e atenção.

Que venha uma próxima edição em breve.




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