Gravadora: Driven Music Group/ ADA / Warner Bros
O Crossbreed começou em 1996 na cidade de Tampa, Florida(EUA) como uma banda de new-metal, verdade seja dita, um bocado ruim e desinteressante tendo seu primeiro full-lenght “.01” como prova disso, porém após essa estréia esquecível, em 2001 assinaram com a Artemis Records e lançaram seu “Synthetic Division” aonde o som evoluiu para uma mistura de meta-industrial, new-metal com programações muito interessantes, dois tecladistas na formação cuidando do lado eletrônico que se tornou forte na banda , composições com personalidade própria e força pra destruir o mundo na época, se não fosse a qualidade da gravação que era apenas razoável. Porém criaram forte fama com suas performances insanas ao vivo, visual, iluminação e produção super carregadas, o que se fez com que as expectativas quanto ao próximo álbum fossem grandes.
Mas o tempo passou e entre 2001 até 2009 o Crossbreed contabilizou cerca de dez ex-integrantes, sendo dois ex-baixistas, quatro ex-bateristas e quatro ex-tecladistas/programadores, restando da formação original apenas o vocalista James “Breed” Rietz e o guitarrista Chris “Roach” Nemzek. A banda alegou que o fato de não terem um bom contrato pra o lançamento de seu novo full-lenght como uma das razões pra lacuna de oito anos entre os discos, mas é inegável que a troca constante de integrantes fez com que sumissem de tempos em tempos. De qualquer forma em 2005 lançaram o excelente Ep “New Slave Nation” (independente), aonde o som da banda mostrou um pé mais forte ainda dentro do metal-industrial, menos new-metal, vocais mais agressivos e bateria idem, mas sem perder as características próprias mostradas no disco anterior.
Após alguns anos tocando exaustivamente duas demos de novas musicas em seu Myspace oficial, finalmente em 2009 a banda assina contrato com a Driven Music Group (ligada a Warner), selo do ex-Korn Brian "HEAD" Welch, e lança seu tão aguardado “KE 101” que soa na linha apresentada no EP anterior, tanto é que das onze faixas do disco, quatro são regravações do último EP e uma é um cover da “Superstition” , musica de Stevie Wonder de 1972. Aliás, é muito interessante ouvir uma banda de metal-industrial deixando de lado seu som típico pra levar um som funkeado, diferente do estilo caótico e “gelado” do grupo. Totalmente inesperado.
Quanto as musicas inéditas é inegável que apesar das diversas mudanças de formação, todas as características que fazem o Crossbreed soar como Crosbreed estão ali, começando pela agressiva “Kill Everything” (ótima música pra começar um show gritando a plenos pulmões e quebrando tudo), continuando com a bizarra porém bela “Hollow” e caindo na “Nothing” , que possui um daqueles refrões pegajosos que ecoam horas depois dentro da sua cabeça. Depois vem “Emote” , que talvez seja uma das musicas com bases mais graves e densas que já fizeram, tendo uma estrutura interessante e diferente de um som típico da banda. Já “The Calling” não é muito atraente, soando esquisita e sem um foco claro. Na sequência vem a hyper carregada “The End of Days” , que faz jus ao nome e apresenta os sintetizadores mais malucos e interessantes deste disco, sem contar o resto do instrumental.
Infelizmente os remakes para “TBNot” , “Saints of Grey” , “Control” e “Beg” perderam muito do impacto que possuíam em suas versões originais, que eram por si mesmas excelentes antes de tentarem rearranjar algumas partes e inventar outras firulas em estúdio. Muitas vezes o melhor é deixar o que já estava bem registrado lá no passado mesmo.
O fato do KE 101 ter tantas regravações faz pensar que o ritmo de composição caiu muito nos últimos anos, talvez por todos os fatos acima descritos. A gravação em si é boa, tendo espaço pra todos os instrumentistas brilharem, com destaque pro baixo que é bem claro em muitos momentos, porém apesar disso não é uma gravação tão consistente se comparada a do EP anterior, visto que algumas musicas possuem mixagens um pouco diferentes entre si ao ponto de alguns instantes destoarem ou ficarem levemente emboladas (principalmente nos remakes), não que isso seja um pecado dentro do som industrial, porém uma mixagem mais sólida e sem tantas dobras vocais, provavelmente fariam desse KE 101 um disco matador.
Um bom disco com ótimos momentos e outros nem tanto.
Ficou aquela sensação de quero mais.
Integrantes
James Breed – vocal
Roach - guitarra, programação
Mr.Hall - teclados, programação, vocais
Kem Secksdiin - teclados, programação, vocais
Floyd - baixo
Diesel - bateria.
Discografia
2Twenty2 (EP)(1998)
.01 (1998)
Synthetic Division (2001)
New Slave Nation (EP)(2005)
KE 101 (2009)
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